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01/11/2014

Platão: Político - Parte I


(...) devemos sempre procurar reconhecer nossos parentes
pela maneira por que conversam.” Platão

No discurso intitulado “Político”, Platão (427-347 a.C.) aponta o caminho para que se chegue à compreensão do que seria desejável que fosse o político, colocando-o entre os sábios.

Inicialmente, classifica todas as ciências em duas: ciência prática e ciência teórica. Afirma que se um leigo, um cidadão qualquer for capaz de dar conselhos a um médico ou a um soberano, é inegável que isso se deve ao fato de que nesse indivíduo existe a “ciência” (aqui entendida como conhecimento) que o próprio médico ou soberano deveria ter.

Assim como não há diferença entre o governo de uma casa, de uma empresa e o de uma pequena cidade, só há uma ciência, quer se diga real, política ou econômica. Que “ciência” será essa?

A ciência de um verdadeiro rei, diz Platão, é a ciência própria do rei e aquele que a tiver, seja rei ou simples cidadão, em virtude de sua arte, tem todo direito ao título real.

Ressalta que para manter-se no poder, um rei não recorre à força física, mas à força de sua inteligência e de sua alma, de onde conclui que o rei tem muito mais relação com a ciência teórica do que com as artes manuais e todas as artes práticas, fazendo da ciência política e do político, da ciência real e do homem real, uma só unidade.

Com o intuito de classificar a ciência teórica, dizendo encontrar sua dualidade de conhecimento, Platão esclarece que a arte do cálculo, por exemplo, faz parte das ciências teóricas, nos dá a conhecer a diferença entre os números, mas não tem outra função que vá além de julgar essas diferenças (numéricas).

E, trazendo como exemplo o arquiteto, esclarece que esse profissional não trabalha como operário, mas dirige os operários, apontando que sua contribuição é de um conhecimento e não uma colaboração manual.

É correto dizer que o arquiteto participa da ciência teórica, no entanto, uma vez traçado o plano, ele não deve considerar-se livre e abandonar a tarefa como faria o calculista, pois cabe-lhe ainda indicar a cada um dos operários tudo quanto lhes compete fazer até que determinado trabalho esteja concluído, tal qual havia planejado.

Assim, todas essas ciências são teóricas, diz o filósofo, incluindo as que participam da arte do cálculo, mas os dois gêneros que elas formam diferem, pois um deles, em seus cálculos, apenas julga, e outro, além de julgar, também dirige.

Permeado por esse raciocínio, Platão distinguirá em toda a ciência teórica uma parte a que chamará de diretiva e outra que chamará de crítica. E será na ciência teórica diretiva que se inserirá o rei, pois na realidade, como um “senhor”, ele ordena, comanda, dirige.

Platão parte então para averiguar se também a arte de dirigir permite qualquer divisão: “Penso que do mesmo modo que na arte dos comerciantes se distinguem os produtores dos revendedores, da mesma forma se diferencia o gênero real [dos reis e dos políticos] do gênero dos arautos [mensageiros].

Os comerciantes, afirma, compram mercadorias produzidas por outrem, e as revendem a terceiros. E assim também, a família dos arautos (poderíamos interpretar hoje como sendo os jornalistas) recebe as decisões alheias para transmiti-las a terceiros, diz ele: “Confundiremos a arte do rei com a do intérprete, do patrão de barco, do adivinho, do arauto e muitas outras semelhantes, que têm em si, realmente [a arte do rei], um poder diretivo?”.

Nesse momento, Platão prossegue a comparação propondo forjar, por analogia, um outro nome, pois nenhum existe para designar esse gênero de dirigentes cujo mando deriva deles mesmos.

E ressalta que esta característica servirá para divisão, colocando o gênero real [dos reis e dos políticos] na classe autodirigente, sem que tenhamos que nos preocupar com as demais classes e darmos a ela outro nome qualquer, pois sua pesquisa tem por objeto o dirigente e não o oposto do dirigente.

Se o gênero em questão (o gênero real, da classe autodirigente) está bem separado dos outros por meio desta oposição, do poder pessoal e do poder de empréstimo, afirma que é mister que o dividamos novamente, se encontrarmos possibilidade para isso: “Quando pensamos em dirigentes, no exercício de alguma direção, não vimos também que as suas ordens tem sempre como finalidade alguma coisa a ser produzida? (…) Não é difícil dividir-se em duas partes tudo o que se produz – seres inanimados e seres animados”.

É desse modo que a parte diretiva da ciência teórica deve ser dividida, diz ele. E é natural que a ciência real não dirige, do mesmo modo que a arquitetura, coisas sem vida: seu papel é muito mais nobre: “É sobre os seres vivos que ela reina e é sobre eles que ela [a ciência real] sempre exerceu seu império”.

Não consideremos o político, roga o filósofo, como o lavrador que cuida do seu boi ou o tratador que cuida de seu cavalo, mas sim como o criador de todos os cavalos ou de todos os bois, da criação de rebanhos” ou “criação coletiva”.

Para mostrar que há duas espécies de rebanhos e, ao mesmo tempo, conseguir que este inquérito, em lugar de ser relativo a um duplo objeto, mas se faça apenas em relação à sua metade, conclui que a criação de homens é diversa da dos animais.

A arte política se refere aos que ele denomina “bípedes implumes”, aos que andam sobre a terra. Política é a arte de pastorear homens, de cuidar dos que vivem em comunidade.


Sobre o político, Platão chama a atenção para o fato de que, pastor e alimentador do rebanho humano, ele é mais importante do que dez mil outros que pretendam sê-lo.

E é por isso que lhes entregamos as rédeas do Estado, por serem homens que possuem a ciência que lhes é necessária. Mas ainda não o separamos suficientemente dos seus rivais para mostrá-lo, unicamente, em sua pureza. É o que Platão fará. Prossigamos, amigos!


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20/10/2014

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Grata,

luciene felix lamy
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ESCOLHA & CLIQUE (leia no topo). Cultura faz bem ao Espírito!

Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

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As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

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E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

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TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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O Sábio Mestre: Antonio Medina Rodrigues (1940-2013)

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