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1 de jul de 2015

IMIGRANTES: Hobbes e o Estado - Parte II


(...) os homens, tendo em vista conseguir a paz, e através disso sua própria conservação, criaram um homem artificial, ao qual chamamos Estado, assim também criaram cadeias artificiais, chamadas leis civis (...)”. Thomas Hobbes.


No artigo anterior (AQUI), Freud deixa claro o quanto somos bélicos, violentos, hostis. E esclarece também que as penalidades previstas nas leis visam inibir os excessos mais grosseiros de nossas brutalidades, ressaltando, entretanto, que “a lei não é capaz de deitar a mão sobre as manifestações mais cautelosas e refinadas da agressividade humana”. As denúncias de assédio moral, por exemplo, evidenciam a sutileza de tais perversidades.

Realista, o pai da psicanálise conclui que “Chega a hora em que cada um de nós tem de abandonar – como sendo ilusões –, as esperanças que, na juventude, depositou em seus semelhantes, e aprende quanta dificuldade e sofrimento foram acrescentados à sua vida pela má vontade deles.”

É com a constatação dessa desumanidade que a civilização funda e tenta lidar com o Estado, essa espécie de mega “pessoa jurídica artificial”. O Estado, que é conduzido por “autoridades” (no caso das democracias) legitimadas por seus “súditos” (através dos que elegemos para nos representar) e instituído.

E assim “O homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança”, como diz Freud, leitor do matemático e filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679).

Mas o que é o Estado? O que o sustém e, convém ou não – sim, ao Estado também! - responder e ser penalizado por suas ações arbitrárias?

Para pensar esse pacto social entre o Estado e as pessoas governadas por seus ditames – tão negligenciadas como denuncia o exorbitante número de imigrantes e refugiados no mundo atual –, trazemos algumas ideias de Hobbes, pois aviltados em sua dignidade, os imigrantes regressam ao estado de natureza e, como cada um é seu próprio juiz, se veem obrigados a agir conforme o que julgam ser a melhor saída (literalmente) a fim de preservar suas vidas. Nada mais natural e compreensível.




O estado de guerra, que segundo Hobbes não se caracteriza – necessariamente – por um conflito empiricamente dado, mas onde basta haver uma situação de hostilidade potencial, nos autoriza ao que for possível para nos mantermos vivos.

Óbvio que todos nós, enquanto racionais, concordamos que – terrível – a iminência de guerra é o quadro mais temido, pois acena com a morte violenta de milhões inocentes. É por isso que nossa razão calcula que devemos nos empenhar ao máximo para evitar tamanha irracionalidade. Eis o télos (do grego propósito, finalidade) do Estado.

Artifício social, o Estado político é uma espécie de artefato, uma “pessoa civil”, uma ficção, um construto, em virtude do qual abandonamos nossos interesses enquanto indivíduos a favor de um todo maior, do grupo ao qual pertencemos. 

E não podemos furtamo-nos a exigir desse grupo maior do qual fazemos parte a primazia pela harmonia, o sublime, repudiando o bestial em seus atos/éthos.

Até porque, “A existência do Estado revela a dependência da relação com os membros que o compõem e sua finalidade última está justamente na preservação da vida de cada um de seus membros (...)”. 

A intencionalidade comum aos seres humanos é sempre a preservação da vida, o bem estar e a paz. Instituir e promover medo e terror, obrigando seus membros às fugas desesperadoras é contrariar exatamente o cerne de sua criação e razão da existência do Estado.

Considerando que deliberamos (pensamos, raciocinamos, ponderamos) sobre nossas ações futuras (ainda inexistentes), sobre aquelas decisões e atitudes que ainda estão abertos aos caprichos do nosso livre arbítrio, ou seja, projetados para um vir-a-ser, a existência de uma instância superior, “soberana” (no caso, o Estado político) é caudatária (carrega, ampara, segue, é ancoradouro) das intenções e das ações humanas.

Como resume bem o estudioso Júlio Bernardes: “O Estado político, desde sua gênese, está lógica e ontologicamente condicionado pela existência dos seres humanos, quer no momento específico de sua confecção – o contrato – quer pela finalidade que determina o sentido de suas ações (…)”.

A existência do Estado, salienta, depende do esforço que este realiza para a distribuição de força ou poder para as partes que o constituem, distribuição essa que se dá na forma de benesses (benfeitorias) que incrementam as condições pelas quais cada ser humano pode manter uma vida relativamente segura e confortável.

As ações do Estado (Governo) passam a representar de forma absoluta a vontade dos autores da representação (o povo) e a transferência de direito, por meio da autorização, cria simultaneamente o objeto, isto é, o Estado.

Promover condições para uma vida confortável e livre das ameças de violências e guerras depende, necessariamente, das decisões do Estado.

Sendo assim, como aponta Júlio Bernardes, a paz efetivada pela soberania é condição necessária para o bem comum. Entretanto, o desenvolvimento das condições que podem implementá-la é obtido pela ação livre dos indivíduos, que tendem naturalmente para isso no interior da sociedade civil organizada.

Para Hobbes, fundamental é que o Estado seja concebido como uma pessoa que delibera e que o resultado dessa deliberação seja por todos acatado. Nas repúblicas democráticas esse processo de deliberação pode ser bem complexo e moroso, pois transcorre por várias instâncias.



No entanto, uma vez deliberado, o Estado passa a constituir sua vontade, reflexo dos anseios de seus membros: “O Estado regra as ações que atentam ou são contrárias ao bem comum”, afirma Hobbes.

Artifício humano, esse Estado hobbesiano é o que possibilita o desenvolvimento das artes, da ciência, do trabalho e do comércio, enfim, de tudo aquilo que repousa sobre a iniciativa e o exercício das faculdades naturais de cada homem, afirma Bernardes.

Não obstante, estas atividades desenvolvidas no interior da sociedade civil repousam na liberdade privada dos indivíduos, que tendem por natureza para o prazer e o conforto, isto é, para a boa vida.

A guerra revela características primitivas e instintivas (“humano, demasiado humano”), é a situação onde não há lugar para os resultados do engenho humano, pois atacando ou se defendendo “o homem não humaniza o mundo”.

Thomas Hobbes diz que na guerra não há “lugar para a indústria, pois seu fruto é incerto; consequentemente não há cultivo da terra, nem navegação, nem uso de mercadorias que podem ser importadas pelo mar; não há construções confortáveis, nem instrumentos (...); não há conhecimento da face da Terra, nem cômputo do tempo, nem artes, nem letras; não há sociedade...”.

Diante de tamanha barbárie urge atentarmos ao fato de que numa sociedade globalizada como a atual, quando o Estado atenta contra seus integrantes e os induz à desesperadora condição de refúgio, atenta também contra cada um de nós, enquanto seres humanos, todos nós acabamos por nos tornar vítimas das ações de tiranos.

Os homens obedecem as leis por medo da punição. “É por si só manifesto que as ações dos homens procedem de sua vontade, e essa vontade procede da esperança e do medo (…) devemos providenciar nossa segurança, não mediante pactos, mas através de castigos (…).” Quando um Estado se revela perverso, barbarizando, urge impor as penas correspondentes.

Como apelo, vale suscitar a compaixão nas sábias palavras do filósofo e economista Adam Smith (1723-1790): "Independente de quão egoísta possa ser o homem, há evidentemente um princípio natural que o faz interessar-se pela sorte dos outros e considerar sua felicidade necessária para si, mesmo que nada obtenha dela além do prazer de vê-la". Cuidar dos seres humanos é zelar por nós mesmos.



Luciene Felix Lamy
Professora de Filosofia e Mitologia Greco-romana da
Galleria Borghese, Roma
Confira vídeos no youtube.

1 de jun de 2015

IMIGRANTES - O mal-estar na civilização (Freud) - Parte I

Fuga de Pompéia, por Giovanni Maria Benzoni (séc. XIX).

A primeira exigência da civilização, portanto, é a da justiça, ou seja, a garantia de que uma lei, uma vez criada, não será violada em favor de um indivíduo”. Sigmund Freud


Temos testemunhado a desesperadora situação de milhares de seres humanos que se veem obrigados a abandonar seus lares e partir em busca da própria sobrevivência.

Ponderar sobre essa questão nos leva a considerar ao menos dois pontos de vista, ou seja, tanto pela ótica dos que anseiam e clamam por amparo, quanto sob o prisma daqueles que se sentem ameaçados pela invasão dos “kxenós” (estranho, estrangeiro, em grego).

Em virtude disso, é importante considerar dois princípios naturais  (e antagônicos!) constitutivos do homem: a agressividade e a compaixão. Ponderemos sobre o primeiro deles, com o pai da psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939).

Em sua obra “O mal-estar na civilização”, Freud esclarece que a beleza (ela não é uma só, como nos ensinou Platão, no Banquete, confira artigo já publicado AQUI), a limpeza e a ordem ocupam posição especial entre as exigências da civilização.

Repudiamos tudo o que é feio, sujo ou desordenado porque tememos essas características em nós mesmos, daí a rejeição (mesmo que inconsciente) com os quais não nos identificamos. E, se há algo que salta aos olhos nos imigrantes, mesmo se belos, é a carência de recursos mínimos para o básico em termos de limpeza e ordem.

Um dos atributos da civilização é o empenho na regulamentação das relações sociais e sabemos que, seja entre os cônjuges, os demais membros da família, com os colegas de profissão, os amigos e para com os próprios membros da comunidade, enfim, para todas as relações há leis, regras, acordos (mesmo que tácitos) e códigos afins.

Freud esclarece que não fosse assim, os relacionamentos ficariam sujeitos à vontade arbitrária do indivíduo, o que equivale a dizer que o mais forte (ou mais rico, mais bonito, mais inteligente, etc), decidiria a respeito dos demais, fazendo prevalecer seus próprios interesses e impulsos instintivos.

No entanto, a vida em comum só se torna possível quando reúne uma maioria mais forte do que qualquer indivíduo isolado e que permanece unida contra todos os indivíduos isolados: “O poder dessa comunidade é então estabelecido como ‘direito’, em oposição ao poder do indivíduo, condenado como ‘força bruta’”, diz ele.

A substituição do poder de um pelo poder de todos, constitui o passo decisivo da civilização. Troca-se um pouco de liberdade por outro tanto de segurança. Esse é o pacto.

Na aceitação de submeter-se aos ditames assentados pela maioria jaz a essência da civilização. Mas, enquanto que, por um lado, os membros da comunidade restringem suas possibilidades de satisfação, por outro, cada indivíduo desconhece ou se rebela a tais restrições: “A primeira exigência da civilização, portanto, é a da justiça, ou seja, a garantia de que uma lei, uma vez criada, não será violada em favor de um indivíduo”.

Subsequentemente, salienta o autor, o curso seguinte no processo do desenvolvimento cultural tende a ampliar-se, no sentido de tornar a lei não mais somente expressão da vontade de uma comunidade (país, casta, camada social, grupo ou ‘tribo’, como dizemos hoje em dia), mas de tornar-se ela mesma também um oponente violento frente a outras comunidades (outro país, outra casta, outra camada social, outro grupo ou "tribo").

É por considerarmos que o desenvolvimento da civilização impõe restrições à liberdade e que a justiça cumpra a exigência de que ninguém fuja ao cumprimento de tais restrições, que o desejo de liberdade que se faz sentir numa comunidade humana pode ser sua revolta contra alguma outra injustiça existente numa outra comunidade.

Progredir enquanto civilização é focar nosso impulso de liberdade (agora não mais individual, mas enquanto comunidade) para o bem-estar e a concórdia de todos os membros, nos empenhando na luta por justiça.

A disposição para o amor universal pela humanidade e pelo mundo (que aflora da transformação de um instinto num impulso, denominada por Freud de “afeição inibida em sua finalidade”) representa o ponto mais alto que o homem pode alcançar. 

Nesse sentido, o autor nos recorda que São Francisco de Assis talvez tenha sido quem mais longe foi na utilização desse amor para beneficiar um sentimento interno de felicidade.

Mas, sobre esse “amor universal” Freud apresentará duas objeções. Para ele, um amor que não discrimina é privado uma parte de seu próprio valor, por fazer uma injustiça a seu objeto de “amor” (quem ama todo mundo não ama ninguém, diz o jargão. Ou ainda: que valor teria um amor se é concedido indiscriminadamente?) e, sua segunda objeção está na afirmação de que nem todos os homens são dignos de amor.

Uma das exigências da sociedade civilizada, diz ele, está no imperativo ideal que o cristianismo apresenta como senso sua reivindicação mais gloriosa, a saber: “Amar o próximo como a si próprio”.

Essa exigência, prossegue, não deixa de causar certa surpresa e até perplexidade: “Por que deveremos agir desse modo? Que bem isso nos trará? Acima de tudo, como conseguiremos agir desse modo? Como isso pode ser possível?”.

Sendo nosso amor, algo valioso, devemos refletir sobre quem o merece. A máxima de que devemos “Amar o próximo como a si próprio” nos impõe deveres que para cumpri-los devemos estar preparados e dispostos a realizar sacrifícios: “Se amo uma pessoa, ela tem de merecer meu amor de alguma maneira. Ela merecerá meu amor, se for de tal modo semelhante a mim, em aspectos importantes, que eu me possa amar nela; merecê-lo-á também, se for de tal modo mais perfeita do que eu, que eu possa amar meu ideal de meu próprio eu”.

No entanto, pondera, se essa pessoa for um estranho e não nos atrair por seus valores e virtudes será muito difícil amá-la.

Quando amamos alguém estamos valorizando essa pessoa, num sinal claro e nítido de preferência. É uma injustiça para com os quais amamos colocar um estranho no mesmo patamar de importância.

Se devo amar meu semelhante com aquele amor universal que devo a todo ser vivente, como também amo os animais, por exemplo, tratar-se-á de uma pequena parte. “Qual é o sentido de um preceito enunciado com tanta solenidade, se seu cumprimento não pode ser recomendado como razoável?”, indaga Freud.

E relata outras dificuldades: “Não meramente esse estranho é, em geral, indigno de meu amor; honestamente, tenho de confessar que ele possui mais direito a minha hostilidade e, até mesmo, a meu ódio. Não parece apresentar o mais leve traço de amor por mim e não demonstra a mínima consideração para comigo. Se disso ele puder auferir uma vantagem qualquer, não hesitará em me prejudicar (…) não se importará em escarnecer de mim, em me insultar, me caluniar e me mostrar a superioridade de seu poder, e, quanto mais seguro se sentir e mais desamparado eu for, mais, com certeza, posso esperar que se comporte dessa maneira para comigo.”.

Recebendo desse estranho, demonstrações de tolerância e respeito, Freud diz que estaria pronto a tratá-lo da mesma forma, com toda consideração. Por isso, diz que se o imponente mandamento dissesse “Ama a teu próximo como este te ama”, ele não teria objeções.

Ele traz à luz um outro mandamento que confessa lhe parecer ainda mais incompreensível: “Ama os teus inimigos”. E brinca: “Acho que agora posso ouvir uma voz solene me repreendendo: 'É precisamente porque teu próximo não é digno de amor, mas, pelo contrário, é teu inimigo, que deves amá-lo como a ti mesmo'. Compreendo então que se trata de um caso semelhante ao do Credo quia absurdum” (creio porque é absurdo).

É provável, afirma, que seu semelhante aja da mesma forma que ele, rejeitando a prescrição de que o ame como a si mesmo, pelas mesmas razões.

O estudioso ressalta que digno de nota é que o comportamento dos seres humanos apresenta diferenças que a ética classifica como sendo “boas” ou “más”, mas ao seguirmos o preceito acima citado, obedecendo às elevadas exigências éticas, incentivaremos o ser mau, acarretando prejuízos aos objetivos da civilização.

As pessoas não estão dispostas a enxergar que não somos pacíficos e só nos defendemos se atacados, mas sim, detemos uma poderosa cota de agressividade. Em seus estudos Freud comprova isso.

Nosso próximo, reitera, não é apenas um ajudante potencial ou um objeto sexual, mas também alguém que nos tenta a satisfazer sobre ele a nossa agressividade, a explorar seu trabalho sem remuneração justa, utilizá-lo sexualmente, apoderar-se de suas posses, humilhá-lo, causar-lhe sofrimento, torturá-lo e até mesmo matá-lo: “Homo homini lupus” (o homem é o lobo do homem).

Prossigamos em nossas ponderações, amigos, pois em questões nevrálgicas que dizem respeito à humanidade, não há como tirar coelhos da cartola. Mas, se pensarmos, talvez surja uma pomba.

Confira no vídeo abaixo Costanza Pascolato & Marilu Beer mencionando as dificuldades devido à  imigração de seus pais para o Brasil (vindos da Itália e da Argentina, respectivamente).



Luciene Felix Lamy
Professora de Filosofia e Mitologia Greco-romana da
Galleria Borghese, Roma
Confira vídeos no youtube: luciene felix lamy
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Eis que a Sabedoria reina, mas não governa, por isso, quem pensa (no todo) precisa voltar para a caverna, alertar aos amigos. Nós vamos achar que estais louco, mas sabes que cegos estamos nós, prisioneiros acorrentados à escuridão da caverna.

Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República.

Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.

Curso de Mitologia Grega

Curso de Mitologia Grega
As exposições mitológicas explicitam arquétipos (do grego, arché + typein = princípio que serve de modelo) atemporais e universais.

Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.

A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").

Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.

O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.

AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.

E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.

Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.

Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.

Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.

Bem-vindos ao Olimpo amigos!

Escolha: Senhor ou Escravo das Vontades.

A Justiça na Grécia Antiga

A Justiça na Grécia Antiga

Transição do matriarcado para o patriarcado

A Justiça nos primórdios do pensamento ocidental - Grécia Antiga (Arcaica, Clássica e Helenística).

Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).

O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Acesse clicando AQUI.

Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.

A ARETÉ (excelência) do Homem

se completa como Zoologikon e Zoopolitikon: desenvolver pensamento e capacidade de viver em conjunto. (Aristóteles)

Busque sempre a excelência!

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TER, vale + que o SER, humano?

As coisas não possuem valor em si; somos nós que, através do nôus, valoramos.

Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.

Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".

A Sábia Mestre: Rachel Gazolla

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