Luciene Felix - Conhecimento Sem Fronteiras
Prof@ de Filosofia e Mitologia Greco-romana
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02/01/2012
DESTINO, LIBERDADE E ÉTICA
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01/12/2011
O MITO DE SÍSIFO - O que você faz, enquanto a morte (Thánatos) não vem?
Muitas vezes, na medida em que os meses vão se passando, somos tragados por uma rotina enfadonha da qual, somente com muito empenho e força de vontade, conseguimos nos libertar.
Mas, se das constantes tarefas exigidas é quase impossível se esquivar, qual seria o segredo para desempenhá-las com prazer e alegria, evitando a sensação de estar carregando um pesado fardo a cumprir?
Clássico na mitologia grega (perdoem a redundância), Sísifo é aquele infeliz que, condenado por Zeus a empurrar uma rocha morro acima, com desgosto, testemunha o rolar da gigantesca pedra, ladeira abaixo. Preso a essa condição, diariamente, o pobre amaldiçoado é obrigado a retomar essa extenuante e infindável tarefa.
Dentre tantas revelações extraídas nesse simbolismo, podemos aventar a luta constante de um trabalho exaustivo, a empreitada infrutífera, cuja perda de tempo revela um ocupar-se em vão.
Devido à falta de entusiasmo e de perspectiva, advém-nos o tédio, a apatia e a angústia, esse extraviar-se a troco de nada, culminando numa nulidade sem saída, à qual só resta resignar-se, enfim, no “Absurdo” que é a existência humana, conforme alerta o filósofo existencialista Albert Camus (1913-1960), em sua obra “O Mito de Sísifo”.
No mito, filho de Eólo (vento), Sísifo é um dos quatro grandes criminosos a receber as maiores penalidades infligidas pelos deuses, ou seja, os maiores suplícios. Os outros são Títio, Íxion e Tântalo (vide artigo já publicado aqui, em nosso Blog).
Somente dois semideuses conseguem enganar a morte, transgredindo a ponto de colocar em perigo toda a ordem do universo: Asclépio (também já publicado em nosso Blog) e Sísifo. Mas enquanto o antecessor de Hipócrates, Pai da medicina, recorrendo à ciência, o faz pelos moribundos, Sísifo saca de astúcia em benefício próprio. Ambos incorrem em “hýbris” (desmedida), o que há de mais condenável à humanidade.
Há controvérsias entre os antigos aedos (poetas) sobre a insolência que culminou em seu castigo. Para Homero, por exemplo, ao prender a Morte (Thánatos), Sísifo evitou a guerra, mantendo a paz entre vizinhos. Noutras versões, ele exercia todas as espécies de latrocínios, imolando os estrangeiros que porventura lhe caíssem nas mãos.
No entanto, maioria dos relatos desse mito aponta que sua imprudência foi, por interesse, ter revelado ao deus fluvial Ásopo que sua encantadora filha Egina (há tempos desaparecida, para desespero do pai), havia sido raptada pelo soberano do Olimpo, o todo poderoso Zeus.
Sísifo negociou informar o paradeiro da jovem com a condição de que Ásopo, divindade dos rios, fornecesse uma fonte eterna à prestigiada cidade de Corinto, administrada por ele.
Punindo-o por essa traição, Zeus ordenou que a Morte fosse buscá-lo. Precavido, Sísifo a trancafia até que Ares, o deus da guerra, se vendo prejudicado diretamente, encontra e resgata Thánatos.
Extremamente inteligente, astuto, antes de partir para o reino dos mortos, presidido por Hades, Sísifo orienta sua esposa Mérope a não o enterrar sob hipótese alguma, suplicando que não o sepulte nem lhe preste as devidas homenagens fúnebres, como a toda boa e virtuosa esposa cabe fazer, quando o marido morre.
Assim que chegou à sombria morada de Hades, Sísifo dirigiu-se diretamente à consorte deste, Perséfone e, fingindo perplexidade e indignação, se queixa da agonia que é não ter sido velado nem sequer honrado com os rituais de costume. Expondo o desgosto que o ultraje e a humilhação o obrigam a sofrer, implora para retornar ao mundo dos vivos a fim de punir a negligência de sua mulher.
Argumentando que sua presença ali é demasiada irregular, promete voltar em três dias. Comovida por seu pedido, Perséfone o autoriza a regressar, mas assim que se vê novamente sob a luz do Sol, Sísifo, fingindo “esquecimento”, propositalmente, não retorna ao reino dos mortos. Agradece a mulher por ter cumprido à risca sua orientação e tem muitos filhos com ela, vivendo tranqüilo, por muitos e muitos anos.
Quando finalmente Thánatos, a morte da qual ninguém escapa, o encontra novamente, já idoso, Sísifo é obrigado a regressar outra vez ao reino dos mortos. Zeus decide então, aplicar uma punição exemplar: o eterno suplício de executar um trabalho cansativo e interminável, portanto, em vão.
Sabemos que a todo e qualquer mortal é vetado escapar à finitude e que a punição de Sísifo nos remete a outra necessidade inerente à condição humana: a de nos ocuparmos, rotineira e preferencialmente, exercendo um trabalho digno, bem remunerado, que nos contente.
Aspirar por conquistar os benefícios de desempenhar uma atividade que, diferente de Sísifo, não seja um estorvo infindável, mas fonte de alegria e até reconhecimento é uma das mais lícitas ambições humanas, pois ansiamos poder fazer algo gratificante e, quando generosos, útil.
Honestidade, bom senso e lucidez na escolha – pessoal e intransferível – de nossa própria rocha transmutam punição em benção, castigo em graça. Tenhamos, portanto, discernimento: “O rochedo que ele rola sem descanso, pode bem ser o emblema de um príncipe ambicioso que revolveu muito tempo na cabeça projetos sem execução”, alerta o estudioso P. Commelin. Sem dúvida, pautar-se pelos valores de outrem, tornará seu peso realmente insuportável.
Cônscios de Thánatos sempre à espreita, façamos desse imperativo uma dádiva. Até que, já bem idosos, quando presididos por seu irmão gêmeo, Hypnos (o Sono), ela nos arrebate, conduzindo ao mistério.
Abordo "O mito da caverna", de Platão - Livro VII da República. Confira nesse Blog (lista no final).
Eis o télos (do grego: propósito, objetivo) da Filosofia e do filósofo. Agir na cidade. Ação política. Phrônesis na Pólis.
Desse modo, ao antropomorficizarem os deuses, ou seja, dar-lhes características genuinamente humanas, os antigos revelaram os princípios (arché) de sentimentos e conflitos que são inerentes a todo e qualquer mortal.
A necessidade da ordem (kósmos), da harmonia, da temperança (sophrosyne) em contraponto ao caos, à desmedida (hýbris) ou, numa linguagem nietzschiana, o apolíneo versus o dionisíaco, constitui a base de toda antiga pedagogia (Paidéia) tão cara à aristocracia grega (arístois, os melhores, os bem-nascidos posto que "educados").
Com os exponenciais poetas (aedos) Homero (Ilíada e Odisséia), Hesíodo (A Teogonia e O trabalho e os dias), além dos pioneiros tragediógrafos Sófocles e Ésquilo, dispomos de relatos que versam sobre a justiça, o amor, o trabalho, a vaidade, o ódio e a vingança, por exemplo.
O simples fato de conhecermos e atentarmos para as potências (dýnamis) envolvidas na fomentação desses sentimentos, torna-nos mais aptos a deliberar e poder tomar a decisão mais sensata (virtude da prudencia aristotélica) a fim de conduzir nossas vidas, tanto em nossos relacionamentos pessoais como indivíduos, quanto profissionais e sociais, coletivos.
AGIMOS COM MUITO MAIS PRUDÊNCIA E SABEDORIA.
E era justamente isso que os sábios buscavam ensinar, a harmonia para que os seres humanos pudessem se orientar em suas escolhas no mundo, visando atingir a ordem presente nos ideais platônicos de Beleza, Bondade e Justiça.
Estou certa de que a disseminação de conhecimentos tão construtivos contribuirá para a felicidade (eudaimonia) dos amigos, leitores e ouvintes.
Não há dúvida quanto a responsabilidade do Estado, das empresas, de seus dirigentes, bem como da mídia e de cada um de nós, no papel educativo de nosso semelhante.
Ao investir em educação, aprimoramos nossa cultura, contribuimos significativamente para que nossa sociedade se torne mais justa, bondosa e bela. Numa palavra: MAIS HUMANA.
Bem-vindos ao Olimpo amigos!
Inscreva-se: NOVEMBRO/2011 (5ª e 6ª f), das 19 às 22hs. Vide "Cursos e Palestras".
Outros debates jurídico-filosóficos
Transição do matriarcado para o patriarcado
Nessa imagem de Bouguereau, Orestes (Membro da amaldiçoada Família dos Atridas: Tântalo, Pélops, Agamêmnon, Menelau, Clitemnestra, Ifigênia, Helena etc) é perseguido pelas Erínias: Vingança que nasce do sangue dos órgãos genitais de Ouranós (Céu) ceifado por Chronos (o Tempo) a pedido de Gaia (a Terra).
O crime de matricídio será julgado no Areópago de Ares, presidido pela deusa da Sabedoria e Justiça, Palas Athena. Saiba mais sobre o famoso "voto de Minerva": Transição do Matriarcado para o Patriarcado. Leia artigo nesse Blog.
Versa sobre as origens de Thêmis (A Justiça Divina), Diké (A Justiça dos Homens), Zeus (Ordenador do Cosmos), Métis (Deusa da presciência), Palas Athena (Deusa da Sabedoria e Justiça), Niké (Vitória), Erínias (Vingança), Éris (Discórdia) e outras divindades ligadas a JUSTIÇA.
Quando tudo parece perdido...
Num repente, Mo Cheeks, técnico dos Portland Trail Blazers, aparece ao seu lado e começa a cantar, incentivando-a e trazendo o público junto. Somente o técnico tomou a iniciativa de ajudar, todos os demais, à volta, só observavam."
o AGIR BEM, na hora certa, pode fazer uma grande diferença.
O grego chama de KAIRÓS, o Tempo oportuno: nem antes, nem depois; Como bem observou Ulisses/Odisseus quando orientava seu filho Telêmaco. Já CHRONOS, é o cronológico Titã, filho do Céu e da Terra (Ouranós e Gaia).
Hefestos: o deficiente excluído, retorna com Glória ao Olimpo
O que faz com que, a despeito de sua origem – deficiência física ou qualquer outra característica alvo de preconceito tais como cor, credo religioso, homoafetidade, fealdade (feiúra), etc. –, uma pessoa seja admirada, solicitada e respeitada por todos?
Descubra o poder da disciplina, do talento, da arte e da techné. Reconheça-se em Hefestos, o Ferreiro Divino. Ouça agora mesmo a narrativa desse belíssimo mito em áudio (10min): em "Conhecimento Sem Fronteiras" - Narrativas de mitos gregos: http://www.esdc.com.br/
EDUCADOR: Transmita esse encorajamento a seus alunos!
EMPRESÁRIO: Trata-se de um excelente áudio motivacional!
Susan Boyle: agraciada com o dom de Hefestos! Confira:
http://www.youtube.com/watch?v=iFSqD3BVxSA
O que nós temos a ver com isso?
Inserimo-nos na pólis, estabelecemos nossa sociedade política. Decididamente, essa não é uma via de mão única. Eis o Geist (espírito) hegeliano: um eterno vir-a-ser!
Gn, gen, origem: a primeira palavra grafada em grego. Embora os "aristóis", os bem-nascidos (os "melhores", posto que mais "bem educados") constituíssem a Aristocracia grega, no mundo atual, origem não é, necessariamente, destino. Mas educação é. "EXCELÊNCIA" (Areté), deveria!
Educação, cultivo das virtudes, sobretudo da Alma, é o que distingüe os Aristóis, pois nutrem philía à sophia e ao antropos (amor à sabedoria e ao homem) e não tributam honra a mundanidades, não se rendem ao kratós (poder) tampouco se corrompem por pluto (riquezas).
É virtuoso amar a Beleza, a Bondade e a Justiça; Isso confere nobreza!
* Pantha Rei, em grego é "TUDO FLUI". Quem já nos disse que a única coisa que não muda é que TUDO MUDA foi o pré-socrático Heráclito. Leia mais sobre Heráclito ao final desse Blog.
TER, vale + que o SER, humano?
Nôus: poder de intelecção que está na Alma, segundo Platão, após a diânóia, é a instância que se instaura da deliberação e, conforme valores, escolhe. É o reduto da liberdade humana onde um outro "logistikón" se manifesta. O Amor, Eros, esse "daimon mediatore", entre o Divino (Imortal) e o Humano (Mortal) pode e faz a diferença.
Ser "sem nôus", ser "sem amor" (bom daimon) é ser "sem noção".
É por isso que costumamos dizer que, o que não é sagrado é profano, ou seja, está fora do ‘Fannum”.
Eis que, chegando ao ‘Fannum”, um local considerado singular na natureza, que pode ser uma cachoeira, uma pujante rocha, um cálido rio, enfim, um lugar de rara e irrefutável beleza, buscava-se identificar imediatamente o “Asylon”.
O “Asylon” era o que consideravam como sendo o lugar mais nobre dentro do Fannum, ou seja, era como um verdadeiro “altar”.
Nesse altar, o “asylon”, os gregos depositavam as primícias em gratidão a deusa da agricultura, Deméter (entre os romanos, será chamada de Ceres, daí a palavra cereal).
Curioso é que toda pessoa que estivesse se sentindo ameaçada em sua integridade física, buscava se proteger no “asylon” pois a sacralidade do local era impeditivo para todo e qualquer ataque que pudesse vir a sofrer.
Desde então, conceder “asilo”, geralmente por questões político-religiosas, é uma forma de salvaguardar a vida de alguém que esteja em perigo.
Jamais a subestimem!
Aphrodite Kallipygos. Cópia romana de escultura helênica (150-100 a.C.). Museo Archeológico Nazionale in Napolis, Itália - 1802.
Penélope: paradigma de Virtude!
"Filho de Laertes, criado por Zeus, Ulisses de mil ardis!
Pensa como poderás pôr as mãos nos pretendentes sem vergonha, que há três anos se assenhorearam do teu palácio, fazendo a corte à tua mulher e oferecendo presentes.
Sempre em seu coração lamenta que não regresses: a todos dá esperança e a cada homem manda recados, mas o seu espírito está voltado para outras coisas."
(Odisseia, XIII, 374-81)
No "Banquete" (Platão), a sacerdotisa Diotima, da cidade da Mantinéia, ressalta uma hierarquia sobre a concepção amorosa dizendo que há os que concebem na alma (belos pensamentos e virtudes) mais do que no corpo.
Mas a mais importante, disse ela, e a mais bela forma de pensamento é a que trata da organização dos negócios da cidade e da família, e cujo nome é prudência e justiça.
Saiba mais sobre a nobre e indômita heroína que não gerou no corpo, mas na Alma: "Embate entre a Lei Divina (Thémis) e a Lei dos Homens (Diké) em Antígona" nesse Blog (veja na relação ao lado, canto superior esquerdo).
E quando esse crânio for o seu? Qual seu legado?"Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?
Uma geração vai, uma geração vem, e a terra sempre permanece.
O sol se levanta, o sol se deita, apressando-se a voltar ao seu lugar e é lá que ele se levanta. O vento sopra em direção ao sul, gira para o norte, e girando e girando vai o vento em suas voltas. Todos os rios correm para o mar e, contudo, o mar nunca se enche: embora chegando ao fim do seu percurso, os rios continuam a correr.
Toda palavra é enfadonha e ninguém é capaz de explicá-la. O olho não se sacia de ver, nem o ouvido se farta de ouvir. O que foi, será, o que se fez, se tornará a fazer: nada há de novo debaixo do sol!"
Quem mais legou textos sobre a vaidade foi Eclesiastes ("O Pregador”). Presume-se que tenham sido escritos (originalmente em hebraico ou aramaico) pelo Rei Salomão.
"O grande Alexandre morreu, O grande Alexandre regressou ao pó; Pó é barro... e o barro no qual o grande Alexandre se transformou, serviu para tapar o buraco de um barril". ...................................................Shakespeare
O vídeo abaixo aplaca toda e qualquer vanitas!
Você se sentiu ofendido...
Clame por seus Direitos!
- Ação Global para Crianças (Angelina-Pitt Foundation)
- Conamp: Assocional Nac. dos Membros do Ministério Público
- Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária - CONAR
- Escola Superior de Direito Constitucional - ESDC
- Inclusão educacional de minorias - EDUCAFRO
- Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC
- Ministério Público Federal
- ONG de Turismo
- Organização das Nações Unidas - ONU
- Protege os Direitos Humanos na Internet - SaferNet

